sexta-feira, 20 de abril de 2012

1° Capitulo: Sangue e Sombra / 4

4
 Os tambores de guerra ressoam, o ar é seco, a saliva desce rasgando e os olhos apenas enxergam a escuridão absoluta, o ataque é iminente, mas ele se demora. Os tambores marcam o tremor de terra ou o tremor de terra marca o ritmo dos tambores, mas o ritmo é dolente de batidas rimadas. Então tudo para, tanto o tremor quanto os tambores. Agora nada se escuta e nada se ver, o escuro é absoluto.

- Kheior, estais aqui perto? – era a voz de Silla.

 - Sim.

 - Se lembra daquela vez na Caldeira das Bruxas?

 - Batalhão de Orc´s montados em elefantes infernais, sim me lembro, foi ate ali onde você morreu pela terceira vez. Mas o que isso tem a ver com agora?

 - Você se lembra de como você matou o líder orc´s?

 - Entendi... O que alem de escuridão teus olhos élficos conseguem enxergar? - Um cavaleiro, aquele do machado. Em volta cinco Rinocerontes.

 - Já entendi o que tem que ser feito. Deixo o cavaleiro para você para que tenha uma batalha épica digna de livros de histórias e canções de bardos. Acertei? – e Sillas faz que sim com a cabeça.

 - Quando eles estiverem pertos eu mostro o caminho, o Rinoceronte é maior que o normal, cerca de 4 metros de altura.

 - E como que fica Pegazom?

 - Sari, consegue me ouvir?

 - Sim.

 - O que aconteceu com Pegazom que ele esta deitado ai no chão.

 - Ele deve ter desmaiado.

 - Escutou o que falei agora a pouco?

 - Sim.

 - Vou precisar que proteja Pegazom, por que vão tentar nos atropelar.

 - Esta bem.

 - Eles estão esperando pelo melhor momento.

 - Então der a eles esse momento, Silla.

 Sua descendência era estranha, nem era uma coisa nem outra, por mais élficos que seus olhos possam ser, eles não eram verdes nem azul nem amarelos, seus olhos eram cinzas iguais a de sua mãe humana, seus cabelos também não era uma coisa nem outra, não era negro igual ao da mãe, nem eram dourados iguais a de seu pai, mas era de um castanho claro. Seu porte físico não era élfico mas sim humano, forte e robusto com muita, mas seus movimentos eram precisos e de certo modo lembrava os elfos em seu movimento. Era gentil igual a um elfo, mas conseguia ser bruto como um humano.

 Por onde Silla passou ele deixou um coração diferente, muitas donzelas já se perderam de amor por ele e muitas outras entraram no mundo negro por causa deste amor platônico, pois já que não podia te-lo, elas queriam mata-lo, elas não eram conhecidas nem muito menos cantadas, elas não tinham nomes, os bardos não chegaram nem a levar em conta a existência delas, elas sempre apareciam com nomes diferentes mas ficavam sempre com o mesmo nome Dakini e sempre eram Bruxas que venderam suas almas ao demônio em troca de poderes para matar Silla. Uma delas foi a responsável direto pela sétima morte de Silla, mas de todas as mulheres, tanto elfas quanto humanas, apenas em Meltam que ele deixou sua prole nascer, duas vezes e duas crianças.


Silla tenta segurar sua espada longa com as duas mãos, mas o ferimento na mão direita o impede de fazer, então ele deixa sua mão cair mesmo e fica segurando com a mão esquerda mesmo, sua asa direita também é torta e quebrada, impossibilitando de levantar voo e cair em uma investida para cima do Filho das sombras. Então quando o ataque acontecer, iria ser no chão mesmo.

A distancia entre Silla e os Filhos da Sombra era de aproximadamente trezentos metros. E foi ai que aconteceu, sem aviso nem um. A trombeta assopra, desta vez perto, mas ainda duas vezes ligeiras e uma vez longa, e então chicote estala e os monstros gritam e os nervos saltam e os pelos se arrepiam e a descarga de adrenalina se faz sentir na veia e o coração acelerado impulsiona o ataque  e momentos antes deles chegarem a seu objetivo, uma luz grande se faz cegando os cavaleiros e um grito gargalhado se escuta.

O caos volta a se estalar no campo de batalha, um desses treme terra berra alto e tomba, explosões acontecem e o ar tornasse quente e o cheiro de sangue e poeira sobem as narinas.

- VENHAM ME PEGAR FILHOS DA SOMBRA, EU ESTOU AQUI!!! – a luz é provida pela espada encantada do grande Silla.

O galope é raso pesado e rápido, o tremor de terra dos golpes atrozes das bestas gigantescas não intimida nem atrapalha o avanço nervoso do cavaleiro sombrio, o cavalo relincha e cospe fogo fato.

O brando grito de guerra do cavaleiro agita mais ainda o agressivo corcel, o machado se ergue preparado a partir o crânio do inimigo que conseguir escapar das bestas pesadas. Um enorme fleche acontece e o cheiro de sangue sobe ao ar junto com o berro de dor de uma das bestas que tomba em um tremor tão grande quanto seu caminhar pesado, em seguida explosões e gritos e o caos se faz no campo de batalha.

Mas o caos chegou cedo e mais cedo ainda foi esse fleche inesperado de luz.

O grito sagrado de guerra se faz maior e mais alto do que qualquer explosão ou grito de agonia que esses Filhos das Sombras podia gerar.

“POR LINA!!!” ecoou e superou o mais alto do que tudo. O corcel das trevas relincha tão alto quanto, mas não sobrepõem o sacro verbo e nesse instante o cavalo se desmonta e o cavaleiro vai ao chão ainda sem ver nem entender nada.

- Levanta-te que não aniquilo o que rasteja sobre meus pés.




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