É
preciso a escuridão mais profundo para sobrepujar as sombras deste mundo,
talvez seja justamente por isso que ela está aqui, sua lamina destrói o obscuro
e surgindo igual a luz d farol em noite tenebrosa. O passo é dado e a escuridão
faz terror em quem fazia terror neste mundo de sombra sangue sofrimento
solitário. Não a como escapar, a lamina balança de um lado ou outro fazendo
rosto sem emoção aparecer, desaparecer e reaparecer.
-
Vocês temem a morte... temem, pois a morte não existe em seu mundo.
A
lamina desce de súbito, fazendo jorra sangue e grito da vitima. Orfelia caminha
entre as Mães mudas.
-
Para onde vocês vão, depois da morte? – a lamina desce no pescoço de outra. Os
gritos dos escravos que tentam controlar o incêndio lá fora, termina por abafar
qualquer pedido de socorro das mães das sombras.
- Sé
encontrarem com alguém, no mundo dos mortos, diga que fui eu, Orfelia, quem te
enviou – a lamina desce de novo.
-
Culpem apenas Lilimar, aranha dona da teia do destino, afinal de contas, foi
apenas ela quem fez nossos caminhos se cruzarem.
A
ultima mãe olha para seu carrasco, ela sabe que não existe escapatória, todas
as outras morreram, a escuridão desta mulher é muito profunda para se
controlada. O sangue de suas irmãs escorre por seus tentáculos e gosto metálico vem junto com o medo. O que
essa humana está esperando para, porque não me mata logo?
- Ele
está aqui - e sorri e desaparece do
mesmo jeito que surgiu.
Uma
lança penetra na tenda e acertaria Orfelia se ela não tivesse desaparecido
momentos antes, a lança atravessaria o peito dela, mas em vez disso, acerta o
corpo morto de uma das mães.
-
Pensou que iria viver?
Por
um segundo, sim, pensou que iria viver, chegou ate a pensar, que bom, meu filho
veio me resgatar, ele vai entrar aqui, matar a humana e me salvar. O frio mais
gélido que alguém poderia sentir, é sentido de uma orelha a outra passando pela
garganta e logo em seguida o calor do sangue jorrando por sua garganta é
sentido por seu peito. Para ter certeza da morte, a faca é cravada na nuca da
mãe, ela só sente um calafrio e uma pontada de dor de cabeça. Uma faca já se
mostrava encravada na nuca de sua Mãe quando conseguiu entrar na tenda.
O
grito de um outro irmão e o som de carne sendo cortada anunciava que Orfelia já
tinha saído e deixara para traz seu rastro de sangue e morte.
O
Jubilo de dor e desespero de um ser maligno que não foi rasgado fisicamente,
mas sim emocionalmente, é sempre maior e mais violento do qu qualquer outro.
Aquela humana o atingira onde mais doía. Esses últimos dias foram sequencias de
grandes derrotas para o Povo das sombras.
As árvores
sagradas estavam sendo queimadas por uma humana que ninguém conseguia rastrear,
e quando conseguiam, seus caçadores eram mortos esquartejados e as cabeças e
seus pedaços eram feitos de enfeite de árvores. Em menos de dez dias, das sete
Árvores Sagradas, apenas duas delas não foram incendiadas.
O
inimigo maior, agente da loucura e alienígena deste plano começara a se mover
de novo e a ganhar terreno a oeste e não avia nada que os filhos da sombra
podiam fazer.
Humanos
entram no mundo das sombras como se fossem convidados a entrar e a saquear, em
um desses saques, a caixa de sete trancas fora perdida ou roubada, isso nunca
aconteceu, mas talvez fosse pela ira dos deuses.
Silla
magno lidera um pequeno grupo de humanos que sozinhos aniquilaram e dispersara
toda a vanguarda de seu exercito, agora avançam em direção ao acampamento do
Grande Pai. E talvez o objetivo deles sejam realmente exterminar com o Grande
pai e todos os filhos.
Agora
apenas uma humana colocara caos em toda a retaguarda e invadira o acampamento
das mães, começara um incêndio para colocar mais caos ainda e agora massacrara
todas as mães das sombras. Talvez ela seja aliada de Silla e se fosse esse o
caso, o filho mais velho dera muita sorte de só ter perdido o cavalo e saído
com apenas alguns ferimentos.
A
escuridão ainda permanece, mas o filho mais velho sabe que as mães estão de
olhos abertos, então ele os fecham como sinal de respeito.
Uma centelha surge e logo se faz grande clarão
que projeta uma silhueta feminina na tenda das mães das sombras. As feridas da
batalha contra Silla ainda estão muito recente tiram-lhe as habilidades, seria
um erro lutar contra esta humana estando nesta situação, mas o ódio tem-lhe
possuído a alma, com isso todo o raciocínio vai embora. Ele iria lutar.
-
Orfelia... era o nome dela...- foi as ultimas palavras de uma das mães.
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