segunda-feira, 7 de maio de 2012

Capitulo 1:ultima parte, Sangue e Sombra.


7

O ódio de seu coração via a silhueta de Orfelia, ela estava ali, agachada, com os cabelos balançando ao sabor do vento e apenas observando e procurando a próxima vitima. Não, ela não iria matar mais nem um de seus irmãos. Os sacerdotes tinham-lhe curado o joelho e o peito, colocado os ossos no lugar e a carne restaurada, mas mesmo assim, ainda doía quando se movia, não importava, a humana está logo ali, vai ser pega de surpresa, seria apenas um movimento de seu machado para exterminar a existência desta praga.

O filho mais velho aperta o cabo de seu machado com tanta força que suas longas unhas de seus longos dedos chegam a perfurar a própria carne. Teria que ser em um único movimento... E dispara em uma corrida silenciosa pisando no sangue das mães e por cima de seus cadáveres ainda quentes.

Quando perto chegou do fim da tenda, seus poderes psíquicos fazem com que o pano seja completamente destroçado. A luz proveniente do incêndio joga sombras sobre seus olhos e escurece seu alvo e ela não percebe o que estava para acontecer. O grito de guerra resoa tão alto quanto a força aplicada em seu golpe. O machado entra pelo ombro e vai descendo ate chegar ao chão, desce e vai passando sem nem um impedimento, contando ossos e carnes e tudo mais que poderia existir. Uma dor excruciante atinge-lhe, era seu joelho, o movimento foi forte de mais para ele aguentar sem reclamar.

Em sua violência o machado só pode parar quando se enterrara na areia branca do solo infértil. O ser que ali estava não se mexe mais, e uma ponta de orgulho é sentida. Finalmente vinguei minhas mães e irmãs. Mas uma outra pontada é sentida, esta não era de orgulho nem emoção. Esta pontada descia pela batata da perna era fria e era de dor. Logo depois uma coisa quente é sentida descendo a canela.

Dois metros e setenta em pé não veem um metro e sessenta agachada saindo da sombra.

A lamina depois de dentro do joelho é girada e desce quase lentamente, rápida apenas o suficiente para sair no final de sua batata, antes que o Herdeiro da escuridão olhasse para baixo, mas lenta o suficiente para o Filho mais velho sentir a lamina cortar cada centímetro de sua carne.

O Herdeiro puxa a perna para trás, ao mesmo tempo, ele vai olhando para baixo para saber o que tinha-lhe acontecido, o que ver é o suficiente para não entender, mas o suficiente para se jogar para trás largando o machado que fora pregado no chão com tanta força.

Ao mesmo momento em que o filho mais velho se joga para trás, a lamina é desembainhada em um movimento fluido, forte e ascendente. Um silvo vermelho se projeta e se faz vermelho na penumbra no local onde alguns instantes atrás estava o pescoço do Herdeiro da escuridão, se ele não tivesse se jogado para trás, ele teria mais do que seus tentáculos aparados. A mão esquerda se junta ao cabo, um passo é dado para frente e outro golpe rasga a escuridão, não arrancara o pescoço, mas rasgara o peito de uma ponta a outra.

Tinha conseguido escapar do primeiro golpe se jogando para trás, apenas deixando alguns tentáculos caírem no chão, mas o segundo golpe foi mais violento e ele estava apoiado com a perna ferida por Sari e agora por Orfelia, então fez jorrar sangue.

Sua biologia monstruosa lhe concedia um estancamento dos ferimentos quase que de imediato, nisto, o peito se fecha, apenas deixando sair o espirro de sangue proveniente do corte primeiro, mas depois ele se fecha, igual ao que aconteceu ao corte da perna.

- Aquele que salta das sombras, sempre permanece nelas. E perece a luz dos olhos de um outro.

Mais nada se via. Orfelia já desaparecia. Seus olhos estão presos em sua presa, era maior, era mais forte, é mais ágil, é mais inteligente e está em maior quantidade, lutar a peito aberto é um erro.

Uma adaga voa certeira, se aloja bem de baixo do sovaco do Herdeiro.

- Você não tem Honra? – gritara ao ser atingido. O filho da sombra remove a adaga com força e rapidez. E quando fez isso, urrou de dor e o sangue foi despejado.

- Sangre igual a um porco.

– VOCÊ NÃO TEM HONRA! - e perdeu o movimento deste braço. A adaga tinha cravos e quando foi arrancada, ela saiu junto com grandes pedaços de carne grudada nela.

- Você pensa que vai sobreviver? – o fogo faz com que as tendas ao lado caiam, criando barulho e uma chance de escapar, mas também uma distração... Ataque Furtivo...

O medo começa a aparecer de novo, a fúria que existia dentro da cabana, morrera junto com as mães e a esperança de sair vivo. Sim, estava ficando covarde sim, seu braço direito não mais funcionava e sua perna esquerda agora era coxa, impossível de lutar com alguém deste jeito. Duas outras laminas circulares aparecem fundindo-se com sua carne, um em seu braço bom e a outra na lateral de seu sua costela.

- Pretende fugir?

- Não a escapatória.

- Já estais morto, só não sabe ainda.

As sombras falavam e dançavam, seu mundo nunca pareceu tão ameaçador. Ele via tudo na escuridão, via quando as laminas vinham voando e lhe acertavam, mas só via um vulto e o resto é sangue. Como se luta contra um inimigo que não se pode ver... era o que aprendeu quando pequeno, quando seu pai lhe ensinava a caçar mortais, o que não existe é o que não se ver, ninguém luta contra  o que não enxerga... Sempre fez batalhas importantes sobre o mato da noite e da escuridão, mas o que fazer quando seu inimigo é invisível mesmo na claridade da lua? “enlouqueceu, ele não existe” seria a resposta do pai.

- Seus irmãos não vão lhe ajudar...
Seus irmãos viam vindo, eles vinham despreocupados, pensam que o irmão é imbatível, que nunca perdeu uma batalha na vida, eles vinham já pensando em levar o corpo da humana, ilusão.

-... Pois já estão mortos. – Orfelia deixa que ele a veja indo em direção a seus irmãos.
Ainda tenta falar alguma coisa, mas não consegue, sua língua estava enrolada, aquela maldita humana estava usando alguma espécie de veneno que paralisa a boca.

Os cabelos soltos e vermelhos de Orfelia tremulam iguais a um estandarte de guerra sendo levado ao campo de batalha. Ao longe ela para e espera os irmãos passarem por`ela. Orfelia cai sobre os irmãos, e cai igual a um relâmpago ate saindo do fundo da terra. Orfelia salta das sombras por trás dos irmãos já lambendo o pescoço de um com uma adaga, antes que eles percebessem que seu companheiro tinha caído, Orfelia já tinha enterrado a adaga no fígado do outro e chutado a perna do que estava mais a frente, que se desequilibra. O que teve o pescoço cortado nem chegou a saber o que se passou, mas o que teve o fígado transpassado pela adaga, soltou um urro de dor, os outros três que estavam a frente tomaram um susto e o que teve a perna chutada, caiu no chão.

Orfelia parou na frente deles, seus cabelos caídos para frente meio que encobria seu rosto, mas deixando seus terríveis olhos a mostra e parte de sua boca. Ela rosna para seus inimigos e eles reconhecem quem ela deveria ser, seus um metro e sessenta de altura sobrepujava totalmente os dois metros e meio de seus inimigos e por menor que fosse, Orfelia intimidava mais.

O que estava no chão, continuou no chão, se borrando de medo, os outros dois demoraram acho que uns 3 segundo para entender a ameaça a sua frente, não, minto, o da esquerda teve que morrer para o da direita entender o que se passava, ate ai eles não tinham entendido. Um ser tão pequeno fazer tamanha coisa.
Assim que Orfelia encarou-os, sua espada subiu e dividiu o da esquerda em quase duas partes, a espada entrara entre o ventre e foi subindo dividindo ele ate o começo do plexo-solar, as tripas e todos os outros órgãos caíram e o ser maligno tombou para trás.

Quando o da direita entendeu o que estava se passando, fomos atacados, a espada de Orfelia já pousava sangrenta no alto e a arma do filho das sombras em baixo. Ele ainda tentou uma investida, mas esqueceu a posição da espada de Orfelia, que só fez descer. Rasgou o crânio garganta e parte do peito, o sangue jorrou e Orfelia se virou e enterrou sua espada no peito do que estava caído, e foi banhada pelo sangue do que teve a garganta, o crânio e o peito cortadas.

Orfelia se levanta, vai andando calmamente ate o Primeiro Filho da sombra, ele em seu terror, tenta fugir. Ela não é humana, eu tenho que avisar ao pai, ela é o avatar de algum demônio furtivo. Os humanos que ate aquele momento ele tinha lutado, todos tinham medo, todos evitavam encontrar com ele e seus irmãos, todos temiam e todos evitavam lutar. Mas isso que chegou aqui, não existe. O Filho da sombra ainda tentou coxear para dentro de algumas tentas e gritando palavras em sua língua, pedindo por socorro. Mas ninguém iria ajuda-lo.

Quando o Herdeiro da escuridão deu as costa, tentando fugir, ele não foi longe, não tinha dado dois passos e caiu de joelho. Orfelia tinha pego dois dardos que estavam por ali, perto de algum escravo morto, um dos dardo acertou bem entre a dobra do joelho, o outro acertava o calcanhar, sendo que ambos por trás.

Orfelia chega nele e o chuta, ele cai de cara no chão. Saca suas duas espadas e em um golpe cruzado, corta fora as duas pernas. Depois guarda uma das espadas, pega um braço e o corta fora, depois repete isso no outro braço. O herdeiro das trevas gritava e pedia pela morte a cada corte. Mas Orfelia se restringia ao silencio. Então ela guarda sua outra espada, não foi preciso torniquete, depois de um tempo, a ferida se fechou sozinha. Então Orfelia agora pega uma das adagas no chão e o Filho da Sombra sabe que não vai morrer ainda, ela vai violar mais ainda seu corpo, e grita, urra e implora pela morte limpa. Mas quem disse que a sombra é limpa?

A adaga passa e corta fora todos os restantes de tentáculos da boca, que tinham sido encurtados. Depois arranca fora um dos olhos e depois todos os dentes da boca e a língua. Por fim enfia a adaga em um canto onde ele não iria morrer, apenas iria sentir muita dor.

- Quando a noite cai o lobo uiva e as crianças choram, e choram com medo de minha presença, os seres da luz temem e me desprezam por ser um deles, persegui as sombras desse mundo e não pereci, eu acabei com tudo que aparecia em minha frente, queimei todas as suas árvores e matei todos os stalkes que mandaste ate mim, matei suas mães, matei suas mulheres e matei seus filhos e irmãos e você achou mesmo que iria sobreviver? Você é o Primeiro Filho da Sombra, você vai perecer perante minha espada. – a lamina gira em seu ombro esquerdo, retorce carne osso e tendões - Eu sou a sombra da escuridão, a serva da luz que caminha nas trevas, sou a escuridão presente em tudo que vive, o medo da morte e o horror da vida, eu persigo os vivos e aniquilo os mortos, sou eu quem trago a morte prematura e o esquecimento da alma, a morte permeia o meu ser e se condensa em minhas laminas, e eu vou te mostrar todo o horror de viver. – e vira o Herdeiro da escuridão de barriga para cima. – Olhe bem para quem vai te enviar de volta para as sombras de onde você nunca deveria ter saído. – saca a espada.

A espada desce, mas a cabeça não sai de primeira, mas a intenção não era essa, era apenas cortar a garganta. Ele ainda estava vivo, Orfelia queria que ele sentisse a morte chegar lentamente.

– Quando chegar lá, Diga que foi eu quem lhe enviou. Orfelia Tirel. – Ele ainda viva para escutar isso, seu sangue borbulha pela boca e jorra pelo pescoço, ele morre afogado com o próprio sangue.

Nenhum comentário:

Postar um comentário