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O
ódio de seu coração via a silhueta de Orfelia, ela estava ali, agachada, com os
cabelos balançando ao sabor do vento e apenas observando e procurando a próxima
vitima. Não, ela não iria matar mais nem um de seus irmãos. Os sacerdotes
tinham-lhe curado o joelho e o peito, colocado os ossos no lugar e a carne
restaurada, mas mesmo assim, ainda doía quando se movia, não importava, a
humana está logo ali, vai ser pega de surpresa, seria apenas um movimento de
seu machado para exterminar a existência desta praga.
O filho
mais velho aperta o cabo de seu machado com tanta força que suas longas unhas
de seus longos dedos chegam a perfurar a própria carne. Teria que ser em um
único movimento... E dispara em uma corrida silenciosa pisando no sangue das
mães e por cima de seus cadáveres ainda quentes.
Quando
perto chegou do fim da tenda, seus poderes psíquicos fazem com que o pano seja
completamente destroçado. A luz proveniente do incêndio joga sombras sobre seus
olhos e escurece seu alvo e ela não percebe o que estava para acontecer. O
grito de guerra resoa tão alto quanto a força aplicada em seu golpe. O machado entra
pelo ombro e vai descendo ate chegar ao chão, desce e vai passando sem nem um
impedimento, contando ossos e carnes e tudo mais que poderia existir. Uma dor
excruciante atinge-lhe, era seu joelho, o movimento foi forte de mais para ele
aguentar sem reclamar.
Em
sua violência o machado só pode parar quando se enterrara na areia branca do
solo infértil. O ser que ali estava não se mexe mais, e uma ponta de orgulho é
sentida. Finalmente vinguei minhas mães e
irmãs. Mas uma outra pontada é sentida, esta não era de orgulho nem emoção.
Esta pontada descia pela batata da perna era fria e era de dor. Logo depois uma
coisa quente é sentida descendo a canela.
Dois
metros e setenta em pé não veem um metro e sessenta agachada saindo da sombra.
A
lamina depois de dentro do joelho é girada e desce quase lentamente, rápida
apenas o suficiente para sair no final de sua batata, antes que o Herdeiro da
escuridão olhasse para baixo, mas lenta o suficiente para o Filho mais velho
sentir a lamina cortar cada centímetro de sua carne.
O
Herdeiro puxa a perna para trás, ao mesmo tempo, ele vai olhando para baixo
para saber o que tinha-lhe acontecido, o que ver é o suficiente para não
entender, mas o suficiente para se jogar para trás largando o machado que fora
pregado no chão com tanta força.
Ao
mesmo momento em que o filho mais velho se joga para trás, a lamina é
desembainhada em um movimento fluido, forte e ascendente. Um silvo vermelho se
projeta e se faz vermelho na penumbra no local onde alguns instantes atrás
estava o pescoço do Herdeiro da escuridão, se ele não tivesse se jogado para
trás, ele teria mais do que seus tentáculos aparados. A mão esquerda se junta
ao cabo, um passo é dado para frente e outro golpe rasga a escuridão, não
arrancara o pescoço, mas rasgara o peito de uma ponta a outra.
Tinha
conseguido escapar do primeiro golpe se jogando para trás, apenas deixando
alguns tentáculos caírem no chão, mas o segundo golpe foi mais violento e ele
estava apoiado com a perna ferida por Sari e agora por Orfelia, então fez
jorrar sangue.
Sua
biologia monstruosa lhe concedia um estancamento dos ferimentos quase que de
imediato, nisto, o peito se fecha, apenas deixando sair o espirro de sangue
proveniente do corte primeiro, mas depois ele se fecha, igual ao que aconteceu
ao corte da perna.
-
Aquele que salta das sombras, sempre permanece nelas. E perece a luz dos olhos
de um outro.
Mais
nada se via. Orfelia já desaparecia. Seus olhos estão presos em sua presa, era
maior, era mais forte, é mais ágil, é mais inteligente e está em maior
quantidade, lutar a peito aberto é um erro.
Uma
adaga voa certeira, se aloja bem de baixo do sovaco do Herdeiro.
-
Você não tem Honra? – gritara ao ser atingido. O filho da sombra remove a adaga
com força e rapidez. E quando fez isso, urrou de dor e o sangue foi despejado.
-
Sangre igual a um porco.
–
VOCÊ NÃO TEM HONRA! - e perdeu o movimento deste braço. A adaga tinha cravos e
quando foi arrancada, ela saiu junto com grandes pedaços de carne grudada nela.
- Você
pensa que vai sobreviver? – o fogo faz com que as tendas ao lado caiam, criando
barulho e uma chance de escapar, mas também uma distração... Ataque Furtivo...
O
medo começa a aparecer de novo, a fúria que existia dentro da cabana, morrera
junto com as mães e a esperança de sair vivo. Sim, estava ficando covarde sim,
seu braço direito não mais funcionava e sua perna esquerda agora era coxa,
impossível de lutar com alguém deste jeito. Duas outras laminas circulares
aparecem fundindo-se com sua carne, um em seu braço bom e a outra na lateral de
seu sua costela.
-
Pretende fugir?
- Não
a escapatória.
- Já
estais morto, só não sabe ainda.
As
sombras falavam e dançavam, seu mundo nunca pareceu tão ameaçador. Ele via tudo
na escuridão, via quando as laminas vinham voando e lhe acertavam, mas só via
um vulto e o resto é sangue. Como se luta
contra um inimigo que não se pode ver... era o que aprendeu quando pequeno,
quando seu pai lhe ensinava a caçar mortais, o que não existe é o que não se ver, ninguém luta contra o que não
enxerga... Sempre fez batalhas importantes sobre o mato da noite e da
escuridão, mas o que fazer quando seu inimigo é invisível mesmo na claridade da
lua? “enlouqueceu, ele não existe”
seria a resposta do pai.
-
Seus irmãos não vão lhe ajudar...
Seus
irmãos viam vindo, eles vinham despreocupados, pensam que o irmão é imbatível,
que nunca perdeu uma batalha na vida, eles vinham já pensando em levar o corpo
da humana, ilusão.
-...
Pois já estão mortos. – Orfelia deixa que ele a veja indo em direção a seus
irmãos.
Ainda
tenta falar alguma coisa, mas não consegue, sua língua estava enrolada, aquela
maldita humana estava usando alguma espécie de veneno que paralisa a boca.
Os cabelos
soltos e vermelhos de Orfelia tremulam iguais a um estandarte de guerra sendo
levado ao campo de batalha. Ao longe ela para e espera os irmãos passarem
por`ela. Orfelia cai sobre os irmãos, e cai igual a um relâmpago ate saindo do
fundo da terra. Orfelia salta das sombras por trás dos irmãos já lambendo o
pescoço de um com uma adaga, antes que eles percebessem que seu companheiro
tinha caído, Orfelia já tinha enterrado a adaga no fígado do outro e chutado a
perna do que estava mais a frente, que se desequilibra. O que teve o pescoço
cortado nem chegou a saber o que se passou, mas o que teve o fígado
transpassado pela adaga, soltou um urro de dor, os outros três que estavam a
frente tomaram um susto e o que teve a perna chutada, caiu no chão.
Orfelia
parou na frente deles, seus cabelos caídos para frente meio que encobria seu
rosto, mas deixando seus terríveis olhos a mostra e parte de sua boca. Ela
rosna para seus inimigos e eles reconhecem quem ela deveria ser, seus um metro
e sessenta de altura sobrepujava totalmente os dois metros e meio de seus inimigos
e por menor que fosse, Orfelia intimidava mais.
O que
estava no chão, continuou no chão, se borrando de medo, os outros dois
demoraram acho que uns 3 segundo para entender a ameaça a sua frente, não,
minto, o da esquerda teve que morrer para o da direita entender o que se
passava, ate ai eles não tinham entendido. Um ser tão pequeno fazer tamanha
coisa.
Assim
que Orfelia encarou-os, sua espada subiu e dividiu o da esquerda em quase duas
partes, a espada entrara entre o ventre e foi subindo dividindo ele ate o
começo do plexo-solar, as tripas e todos os outros órgãos caíram e o ser
maligno tombou para trás.
Quando
o da direita entendeu o que estava se passando, fomos atacados, a espada de Orfelia já pousava sangrenta no alto e
a arma do filho das sombras em baixo. Ele ainda tentou uma investida, mas
esqueceu a posição da espada de Orfelia, que só fez descer. Rasgou o crânio
garganta e parte do peito, o sangue jorrou e Orfelia se virou e enterrou sua
espada no peito do que estava caído, e foi banhada pelo sangue do que teve a
garganta, o crânio e o peito cortadas.
Orfelia
se levanta, vai andando calmamente ate o Primeiro Filho da sombra, ele em seu
terror, tenta fugir. Ela não é humana, eu tenho que avisar ao pai, ela é o
avatar de algum demônio furtivo. Os humanos que ate aquele momento ele tinha
lutado, todos tinham medo, todos evitavam encontrar com ele e seus irmãos,
todos temiam e todos evitavam lutar. Mas isso que chegou aqui, não existe. O
Filho da sombra ainda tentou coxear para dentro de algumas tentas e gritando
palavras em sua língua, pedindo por socorro. Mas ninguém iria ajuda-lo.
Quando
o Herdeiro da escuridão deu as costa, tentando fugir, ele não foi longe, não
tinha dado dois passos e caiu de joelho. Orfelia tinha pego dois dardos que
estavam por ali, perto de algum escravo morto, um dos dardo acertou bem entre a
dobra do joelho, o outro acertava o calcanhar, sendo que ambos por trás.
Orfelia
chega nele e o chuta, ele cai de cara no chão. Saca suas duas espadas e em um
golpe cruzado, corta fora as duas pernas. Depois guarda uma das espadas, pega
um braço e o corta fora, depois repete isso no outro braço. O herdeiro das
trevas gritava e pedia pela morte a cada corte. Mas Orfelia se restringia ao
silencio. Então ela guarda sua outra espada, não foi preciso torniquete, depois
de um tempo, a ferida se fechou sozinha. Então Orfelia agora pega uma das
adagas no chão e o Filho da Sombra sabe que não vai morrer ainda, ela vai
violar mais ainda seu corpo, e grita, urra e implora pela morte limpa. Mas quem
disse que a sombra é limpa?
A adaga
passa e corta fora todos os restantes de tentáculos da boca, que tinham sido
encurtados. Depois arranca fora um dos olhos e depois todos os dentes da boca e
a língua. Por fim enfia a adaga em um canto onde ele não iria morrer, apenas
iria sentir muita dor.
- Quando
a noite cai o lobo uiva e as crianças choram, e choram com medo de minha
presença, os seres da luz temem e me desprezam por ser um deles, persegui as
sombras desse mundo e não pereci, eu acabei com tudo que aparecia em minha
frente, queimei todas as suas árvores e matei todos os stalkes que mandaste ate
mim, matei suas mães, matei suas mulheres e matei seus filhos e irmãos e você
achou mesmo que iria sobreviver? Você é o Primeiro
Filho da Sombra, você vai perecer perante minha espada. – a lamina gira em
seu ombro esquerdo, retorce carne osso e tendões - Eu sou a sombra da
escuridão, a serva da luz que caminha nas trevas, sou a escuridão presente em
tudo que vive, o medo da morte e o horror da vida, eu persigo os vivos e
aniquilo os mortos, sou eu quem trago a morte prematura e o esquecimento da
alma, a morte permeia o meu ser e se condensa em minhas laminas, e eu vou te
mostrar todo o horror de viver. – e vira o Herdeiro da escuridão de barriga
para cima. – Olhe bem para quem vai te enviar de volta para as sombras de onde
você nunca deveria ter saído. – saca a espada.
A espada
desce, mas a cabeça não sai de primeira, mas a intenção não era essa, era
apenas cortar a garganta. Ele ainda estava vivo, Orfelia queria que ele
sentisse a morte chegar lentamente.
–
Quando chegar lá, Diga que foi eu quem lhe enviou. Orfelia Tirel. – Ele ainda
viva para escutar isso, seu sangue borbulha pela boca e jorra pelo pescoço, ele
morre afogado com o próprio sangue.
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